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03 setembro 2009

A equipa familiar do Restaurante Casa Vita:
Elvio (pai), Elvio (filho, ao fundo), Juan Carlos, Maria Carmen, Belén, Cristal e Maria.

CASA VITA

MOMENTO DE VIDA PARTICULARMENTE SABOROSO

O final do dia estava cálido e, também por isso, apetecia jantar ao ar livre. Por sugestão da nossa anfitriã, poderíamos encontrar um restaurante de boa comida, com uma esplanada com vista para Ourense (Galiza, Espanha), a curta distância da casa onde iríamos pernoitar.

De carro, lá encontrámos o lugar, Casa Vita, à porta do qual se encontravam dois homens à conversa.

Eram 21 horas quando chegámos ao restaurante e, um dos homens que estavam à porta saúda-nos e convida-nos a entrar. Lá dentro, não vimos ninguém, nem clientes nem empregados.

Na sala em que nos encontramos, vemos uma série de travessas com comida, por confeccionar, alinhadas por detrás de um balcão de vidro, que separa a área pública da cozinha, à vista.

Pela conversa, rapidamente percebemos que o homem que nos acompanha, Elvio, é o proprietário do restaurante. Pela forma apaixonada e graciosa como fala do restaurante e da sua actividade profissional, suspeito que o Elvio é também a alma deste lugar.

Feitas as escolhas gastronómicas, amêijoas, empada galega, pimentos de Arnoia (grandes e saborosos, mas não picantes, contrariamente aos seus parentes de Padrón, estes mais populares), e petingas fritas (aqui chamadas de xoubas ou parrochas), procuramos em vão a esplanada com vista para Ourense.

Intrigados, inquirimos o nosso guia, que nos aponta para o outro lado da rua, onde existe de facto um amplo terraço, propriedade da casa, com mesas e cadeiras, e uma vista panorâmica para a cidade de Ourense.

Lá, somos os primeiros a sentar-nos e, vamos descobrindo os pormenores da Casa Vita, pela boca do Elvio e, logo a seguir, também por um dos seus colaboradores e filho, Juan Carlos.

O Elvio diz-nos que a sua taberna (o termo é dele …) nasceu ali mesmo, do zero, há mais de 40 anos. Na altura, tudo era feito por ele e pela esposa, Maria Carmen (esta na cozinha). Com o passar do tempo, chegaram cinco filhos, que à medida que foram crescendo, foram aprendendo as artes de bem servir e cozinhar, tornando-se membros activos da equipa do restaurante.

Hoje, todos os filhos têm outras actividades profissionais, o que não os impede de ajudar os pais nas horas vagas. Esta noite, para além dos dois fundadores da casa, estão também presentes dois filhos (no serviço de mesas) e duas filhas e uma nora (na cozinha).

À medida que o tempo passa, as mesas vão sendo ocupadas por clientes que parecem ser habituais, e o ambiente é descontraído e festivo.

Estando nós no lado oposto da rua àquele onde se encontra a cozinha do restaurante, observamos o trajecto feito pelos empregados da casa que, com travessas nas mãos, cruzam a rua com naturalidade, apesar do movimento esporádico de carros.

A comida vai chegando à nossa mesa, e deliciamo-nos com tudo, boa matéria-prima e excelente confecção, repetindo ainda os pimentos e as petingas. Acompanhamos a refeição com um vinho tinto da casa, de produção própria.

No final, somos brindados com um prato de doces, gentil oferta da casa.

Pela hospitalidade com que fomos recebidos, e pelo excelente jantar que nos foi servido, não podíamos partir sem antes agradecer este serão inesquecível.

Ainda para mais, o Elvio confessou-nos que muito provavelmente ele e a esposa irão reformar-se em breve e, quando isso acontecer, a Casa Vita fechará as portas para sempre, já que os descendentes não querem continuar com a actividade de restauração.

É uma pena se tal acontecer. Como não sabemos se teremos outra oportunidade de cá voltar a tempo de rever a família Vita, convoco todos os presentes, pessoal da cozinha incluído, para uma fotografia.

Afinal, a vida tem momentos de felicidade.

30 janeiro 2009


Marvão, Alto Alentejo: a minha terra adoptiva em Portugal.
2008 – UM ANO PARA ESQUECER, OU TALVEZ NÃO
À partida, o ano de 2008 parecia-me promissor, por poder estabilizar a minha vida, e continuar a viajar, pelo prazer de conhecer o Mundo.

Logo no inicio do ano, aluguei um apartamento em S. João do Estoril, localidade que conheço bem, pois tem sido aqui que tenho vivido quase toda a minha vida, desde que deixei o lar materno, há quase 30 anos.
Na minha nova casa, que assumi como temporária, tenho vivido com prazer uma vida simples e descansada.
Que me lembre, nunca como neste ano passei tanto tempo em casa, fazendo o que me apetece, sobretudo ler pela manhã, e observar o Mundo.
O meu Mundo tem várias dimensões, desde a escala planetária, que posso contemplar graças à internet, até ao Mundo invisível, dos meus pensamentos.



S. João do Estoril, Cascais: vista da minha casa.
Também, na minha casa tenho uma varanda para o Mundo, que me permite observar a vida local, que é bastante diversificada, já que nesta área residem pessoas de muitas origens, as quais transparecem nos seus modos de vida.
Mas, a varanda da minha casa ainda me permite ver o mar, lá em baixo, muito extenso, até à linha do horizonte.
Todos os dias, pela manhã, observo o mar como se de uma revelação se tratasse. Todos os dias ele aparece diferente, ora calmo e azul, ora turbulento e cinzento e, nalguns dias, como hoje, quase não se deixa ver, pelo nevoeiro que se intromete.
E depois, há os barcos que por aqui navegam, uns em passeio, os veleiros com as velas enfunadas, ao sabor do vento, e os outros, mais apressados e menos elegantes. Mas, para além das embarcações de recreio, também aprecio os navios de carga que, por razões que desconheço, diariamente aportam quase à minha porta, ficando fundeados ali em baixo, mesmo em frente a minha casa.
Vendo estes navios, imagino sempre as suas tripulações exóticas, de pessoas de países de mão-de-obra barata, e como estas nos observam a nós, com a mesma curiosidade.
Outra curiosidade me despertam os navios de cruzeiro, quais palácios flutuantes, que navegam ao longo da costa portuguesa em circuitos turísticos que pousam em Lisboa por algumas horas.
Estes templos de viagens prazeirentas quase sempre chegam de manhã cedo, e partem ao fim da tarde. Às vezes, imagino-me a viajar num destes navios, talvez pelas memórias de infância, das muitas viagens que fiz de barco, entre Angola e Portugal.


Cascais: Farol de Santa Marta, transformado em museu, em 2007.
No inicio de 2008, projectei novas viagens, algumas das quais pude concretizar.
Em Portugal, revisitei os Açores, Minho e Alentejo, por esta ordem, e lá fora, descobri Itália e em Espanha, Valência, graças à Carmen, a minha nova companheira.
Mas, outros projectos de viagem ficaram por concretizar, por dificuldades inesperadas. Se por um lado a profunda crise económica mundial me afectou, e assustou, também tive que enfrentar fantasmas do meu passado profissional, que já julgava extinto.
Enfim, primeiro o dever e depois o prazer, pelo que espero que o ano de 2009 possa trazer melhores perspectivas, ao menos no que a viagens diz respeito.

23 fevereiro 2008

ANO NOVO, CASA NOVA

Depois de quase dois anos a viver com amigos e em hotéis, decidi voltar a ter uma casa para habitar, enquanto estiver em Portugal.
Por gosto, escolhi o concelho de Cascais, área que me é familiar, onde tenho agora um apartamento com vista panorâmica para o mar.
Há muito tempo que não dispunha de tanto espaço e privacidade, o que me permite viver de modo diferente.

Entretanto, aproveito este período para organizar melhor a minha vida e, fazer planos para o futuro. Para já, preparo várias viagens para os próximos meses, das quais falarei oportunamente.

29 abril 2007

VIAGENS, AMIGOS E SAUDADES



Prevejo chegar a Lisboa no início de Junho próximo. Estando há quase um ano ausente de Portugal, naturalmente, sinto falta de muitos(as) amigos(as) que lá vivem.
Assim, para matar saudades desses(as) amigos(as), proponho que nos encontremos no dia 3 de Junho, Domingo, a partir das 16.00 horas, em casa da Paula e do Maurício, na região de Palmela, a sul de Lisboa (ver mapa anexo).
Nesse fim de tarde, iremos conversar sobre viagens, as minhas e as de distintos viajantes que estarão presentes, jantar e celebrar a alegria de viver.

A participação neste encontro implica uma contribuição voluntária de comida e/ou bebida por parte de todos os presentes. Cada um levará o que achar mais conveniente.
Para que possamos coordenar as necessidades do grupo, solicito que os interessados se inscrevam, por e-mail, até ao próximo dia 20 de Maio.
Como ainda me encontro ausente de Portugal, solicitei a ajuda da querida amiga Susana Felizardo para tratar deste assunto. Assim, peço o favor de se dirigirem à Susana, para efectuarem as vossas inscrições. Os contactos dela são os seguintes:

E-mail: susanafelizardo@gmail.com
Telefone de casa: + 351 21 485 08 00
Telemóvel: + 351 93 524 73 05

Vemo-nos então no dia 3 de Junho!

27 novembro 2006

A VIDA É UMA VIAGEM

Quando há alguns meses visitei a Argentina, conheci a
Carolina Reymúndez, jornalista de viagens.

Entretanto, a Carolina escreveu recentemente um artigo publicado pelo jornal diário argentino LA NACION, sobre viagens e viajantes,
no qual me referenciou. Se quiserem ler o artigo citado, sigam o link, http://www.lanacion.com.ar/862020

10 setembro 2006

A ARTE DE VIAJAR, NO SÉCULO XXI

Fez agora três meses que o meu périplo pelo mundo começou.
É uma boa oportunidade para fazer um balanço do que tem sido esta minha experiência.

Em primeiro lugar, estou a fazer uma maratona, ou seja, o facto de estar há vários meses a viver com uma mala e uma mochila, com o total de cerca de 40 kg, faz com que tenha que ponderar bem os passos que dou, e como os dou.
No geral, tenho que dosear bem os meus esforços, para que não me falte o fôlego, que a corrida promete ser longa.
Já agora, os pertences que me acompanham foram criteriosamente escolhidos antes de iniciar a viagem, e estou satisfeito com quase todas as escolhas que fiz.
À parte alguns objectos não essenciais para a viagem que já regressaram a Portugal, e outros que irão em breve, graças à ajuda de amigos que viajando para o Brasil e Argentina se prontificaram a colaborar, tenho o que é necessário para viver com qualidade.
De tudo o que transporto, destaco a roupa confortável, sem atender a estilos ou etiquetas. O mesmo é fundamental para os sapatos, já que as caminhadas são uma constante. No meu caso, confio os meus pés, com satisfação, a dois pares de sapatos da Timberland, que têm comprovado o nível publicitado pela marca.
Depois, atendendo ao facto de estar a viajar com um computador, máquina fotográfica e telemóvel, faz com que a necessidade de acesso a corrente eléctrica seja frequente. Assim, para não estar sujeito a surpresas, tenho uma caixa que contem adaptadores para tomadas eléctricas de todos os modelos existentes no mundo, espero eu. Claro que os transformadores dos equipamentos têm que ser adequados a dupla voltagem.
Tudo o que está comigo é transportado numa mala e uma mochila, da marca Samsonite, de geração recente. Estou bastante satisfeito com a qualidade destas duas peças, embora admita que a mala poderá vir a não resistir ao tratamento pouco cuidado que lhe é dado nos aeroportos. A ver vamos!

Neste início de século, o acto de viajar é vulgar, havendo no entanto várias formas de o fazer, que definem o perfil dos viajantes.
Ao longo destes três meses, cruzei-me com inúmeros viajantes, tendo falado com algumas centenas. Desde logo ressalvo o facto de ainda não ter encontrado qualquer português, embora já tenha pressentido a presença próxima de alguns, poucos, através de livros de comentários que tenho folheado, particularmente em museus. Já me cruzei e comuniquei com pessoas de muitas etnias e culturas, na maioria europeus e norte-americanos, para além dos residentes nos países por onde passei.
A maioria dos viajantes que encontrei, enquadram-se na categoria que posso designar como dos “turistas”. Muitos deles, para além de terem um tempo muito limitado para conhecerem os locais que visitam, pouco ou nada sabem dos mesmos. Esta categoria é a que menos me interessa.
Depois, existem os viajantes que, para além de disporem de mais tempo, têm interesses específicos que os levam a visitar determinados locais.
Esta categoria tem uma subcategoria maioritária, que é hoje um fenómeno social. Refiro-me aos “mochileiros”, ou seja o que for que chamemos a estes viajantes, que estão em todo o lado.
Maioritariamente jovens, com aparência pouco cuidada, vivem de expedientes diversos, com pouco. Dedicam-se quase sempre à produção e comercialização de trabalhos artesanais, que tendem a ser repetitivos.
Este grupo de viajantes de longa duração raramente se relaciona com outros grupos de viajantes, sendo também alvo de segregação, e nunca se hospeda em hotéis.
O grupo no qual me insiro, viajantes de longa duração, com conforto, é minoritário.

Viajar durante muito tempo hoje, não significa necessariamente ficarmos isolados do mundo, e das pessoas com quem temos laços afectivos.
De facto, os meios de comunicação actualmente ao nosso dispor permitem-nos manter contactos frequentes com quem quer que aos mesmos tenha acesso.
Pelo que se vê, o telemóvel é hoje um instrumento de uso corrente, em todo o lado. Tal como em Portugal, também nos países já visitados o uso do telemóvel tende a ser caótico.
Este fenómeno tecnológico mundial faz com que me pareça que, hoje o melhor amigo do homem (e da mulher) já não é o cão, mas sim o telemóvel.
Muito mais interessante que o telemóvel, para mim, é o acesso à Internet, que também se encontra vulgarizado.
Ao longo destes três meses de viagem, muito poucos foram os locais onde estive nos quais não havia acesso à Internet.
Para além da solução privada, a que eu prefiro já que tenho o meu computador comigo, encontramos o mais diverso leque de possibilidades de acesso à Internet, com predominância para os locais onde podemos alugar um computador, por valores insignificantes.
A maior parte destes locais são pouco cuidados, oferecendo desconforto e nenhuma privacidade.
Mas existem excepções. Recentemente, em Córdoba, pude comprovar o que o futuro nos reserva em matéria de informática: ao passar numa das principais artérias da cidade observei um edifício contemporâneo, que à primeira vista me pareceu albergar uma empresa de comércio de equipamentos informáticos, Empiretech (http://www.empiretech.com.ar/).
Estranhei o facto de ver muitas pessoas no seu interior, e decidi espreitar. Constatei tratar-se dum centro de informática, com centenas de computadores prontos a serem alugados para acesso à Internet, ou para outros fins. São quatro andares totalmente preenchidos pelos computadores, muito bem instalados, com um elevado nível de conforto para os utilizadores. Estes, de todas as gerações, frequentam o local até altas horas da madrugada, tendo ainda ao seu dispor um bar e serviços técnicos habilitados.

Viajar, no meu caso, também significa conviver com a solidão.
Ao longo destes três meses, muitas experiências vivi sozinho, que gostaria de ter partilhado com alguém.
Felizmente que não me deixo abater pelo facto de estar a viajar só, sentindo-me um ser privilegiado por poder observar o mundo em directo.
De qualquer modo, mais vale viajar só que, não viajar!

Nota: aproveito para anunciar a primeira alteração de rota na minha viagem.
Depois de visitar o Chile, irei para o Peru, país que inicialmente havia excluído do meu itinerário.
Não quero perder esta oportunidade para visitar o território onde a civilização inca teve o seu epicentro.

06 julho 2006

A PAIXÃO PELO FUTEBOL

Que o Brasil tem uma ligação especial com o futebol todos sabemos. Assim, quando marquei a viagem para este período, apercebi-me que iria estar no Brasil durante todo o Campeonato Mundial de Futebol, realizado na Alemanha.
Para mim foi um bónus, mesmo não sendo um aficionado deste desporto.

O que encontrei, nos três estados que percorri durante a Copa (como aqui é conhecido), representa a paixão pelo futebol.
Onde quer que estivesse, o futebol acompanhava-me: eram as ruas engalanadas, as lojas idem, e os empregados destas, vestidos com camisolas amarelas e verdes, como se fossem jogar pelo Brasil, eram as conversas com qualquer brasileiro que invariavelmente começavam ou acabavam no futebol.
Havendo jogo da Copa, qualquer jogo, as televisões só passavam futebol, e tinham sempre público. Mas, quando o jogo incluía o Brasil, então a vida das localidades parava, para as pessoas torcerem pelo escrete. Quando digo que a vida parava, parava mesmo, com poucas excepções. Quase todo o comércio e serviços, públicos e privados, encerravam.

Quanto à competição propriamente dita, o Brasil encarou esta prova com excesso de confiança. Quase todos garantiam que o país se sagraria campeão, vendiam-se camisolas onde o título já estava atribuído, réplicas da taça, e faziam-se planos para comemorar uma vitória anunciada.
Até que chegou o dia do jogo com a França. Era apenas mais um jogo, no passeio para a vitória final. Mas, não foi assim e a derrota aconteceu, com tanta naturalidade que todos os brasileiros reconheceram ter sido justa.
O país mergulhou numa depressão psicológica, e a autoconfiança ruiu.
Em simultâneo com o desaire inesperado, surgiu uma nova esperança: afinal, Portugal está apurado para as meias-finais da prova, e o treinador da selecção portuguesa é um brasileiro, Felipão, e um ídolo nacional (foi com ele ao comando do escrete que este ganhou a última copa, há quatro anos atrás).
Ou seja, de um dia para o outro, o Brasil renovou o seu orgulho, passando a apoiar sem reservas, a selecção de Portugal. Oxalá possa corresponder.

Nota: o texto anexo foi escrito antes do jogo de ontem, entre Portugal e França.
Infelizmente, ganhou a França.
Embora não tenha acompanhado os jogos de Portugal, a não ser parcialmente e em diferido, fico com a sensação de que a nossa selecção teve um comportamento digno, e o resultado final, qualquer que seja, será desportivamente positivo.
Tomara que fosse sempre assim!

10 maio 2006

INICIO DO PERÍODO NÓMADA

Fotografia: Maurício Abreu

INICIO DO PERÍODO NÓMADA

Desde o passado dia 4 que deixei de residir em minha casa.
Actualmente, estou instalado em casa da Clara e do Jack, amigos queridos, que me acolheram calorosamente no seu espaço privilegiado, junto às praias do Guincho ou seja, quase no ponto mais ocidental do continente europeu.

Assim começou o meu período nómada, que durará o tempo que vier a ser consumido até terminar a minha primeira viagem à volta do Mundo.
Previsões?
No mínimo um ano, no máximo o resto da minha vida.

Para já, anuncio que a minha partida de Lisboa rumo ao Brasil será no próximo dia 3 de Junho.
Até lá, será tempo para os últimos preparativos para a grande viagem que se avizinha, e para confraternizar com aqueles de vós que tenham disponibilidade para estar comigo.

Quando iniciar a viagem, publicarei n’ O MEU MUNDO o relato do que de mais interessante acontecer, pelo prazer de partilhar as experiências que vou viver com cada um de vós.
Claro que conto com os comentários que queiram fazer, os quais também me proporcionam satisfação.

A minha próxima grande aventura está prestes a começar!


11 abril 2006


CASA ALUGADA, INICIO DA CONTAGEM DECRESCENTE PARA A VIAGEM MAIS DESEJADA

Finalmente, depois de cinco meses de trabalho e de espera para alugar a minha casa, posso anunciar que este objectivo foi alcançado.
A partir já deste mês de Abril deixarei de residir em minha casa, entregando-a a uma família espanhola, que espero seja feliz na escolha que fez.

Assim, é agora tempo de me concentrar nos preparativos finais para a minha primeira viagem à volta do Mundo.
Ainda não tenho marcada a data para a primeira etapa, que me levará de Lisboa ao Brasil mas, prevejo que a mesma aconteça na segunda metade de Maio próximo.

No período de tempo que falta, procurarei encontrar-me com os amigos que residem em Portugal mas, provavelmente não conseguirei estar com todos.
Aqueles que me quiserem ver, antes da minha partida, agradeço que me contactem para marcarmos um encontro.
Os amigos com os quais eu não consiga encontrar-me nas próximas semanas, e os outros, poderão acompanhar-me na viagem, através deste MEU MUNDO, ou então, poderão viajar até qualquer dos pontos por onde eu prevejo passar, para aí nos reencontrarmos.

Até breve, e até sempre!


01 janeiro 2006

ANO NOVO VIDA NOVA

Na realidade, ao longo dos meus 49 anos de vida, poucos foram aqueles em que o ditado ANO NOVO VIDA NOVA se aplicou.
Em 2006, no entanto, tenciono levar à letra o mesmo.

Como já declarei, quero concretizar neste novo ano um sonho antigo. Viajar, sem limite de tempo, à volta do Mundo.
As minhas previsões apontam para que, a partir de Março próximo, possa partir para a minha primeira volta ao Mundo. Para já, passo a divulgar o itinerário previsto para a primeira metade dessa viagem.
Se me perguntarem porque razão apenas desvendo o percurso que tenciono percorrer na primeira parte da viagem, a resposta é a seguinte: desejo aproveitar esta oportunidade para me reencontrar com a vida, em pleno. Isto significa que, poderei vir a escolher outro local para viver nos próximos anos, que não em Portugal. Neste sentido, não faço segredo que, em teoria, o meu destino desejado é a Nova Zelândia. Como esta se encontra nos antípodas relativamente a Portugal, ponto de partida para a viagem, significa que, para lá chegar terei que percorrer meio Mundo.
Dos poucos compromissos auto-impostos para esta viagem, um deles aponta para que chegue à Nova Zelândia no decurso do último trimestre de 2006. Lá, deverei permanecer durante pelo menos três meses, afim de conhecer melhor o país, onde eu e a Ana estivemos em 1994, durante uma semana.
Dependendo do resultado da estada na Nova Zelândia, decidirei então do percurso para a outra metade do Mundo.

Assim, deixo-vos aqui a relação dos países que pretendo visitar em 2006, a caminho da Nova Zelândia, por ordem cronológica:
BRASIL
URUGUAI
ARGENTINA
CHILE
EQUADOR
PANAMÁ
COSTA RICA
NICARÁGUA
ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA
NOVA ZELÂNDIA

Em resumo, nesta parte da viagem deverei atravessar dois oceanos, Atlântico e Pacífico, e três continentes, América do Sul, América Central e América do Norte.
Desde já vos digo que este é um itinerário previsional, que poderá ser alterado quando surgirem razões, espero que positivas, que me levem a introduzir alterações.
No que respeita aos dez países acima citados, tenho locais que desejo visitar já identificados. Não os revelo aqui de momento. Quero no entanto solicitar a colaboração de quem me acompanha neste MEU MUNDO, para receber sugestões de locais que cada um de vós me queira sugerir, ou por conhecimento próprio, ou por outras razões que possam fundamentar.
Para isso, adianto-lhes que as minhas escolhas foram e serão baseadas principalmente nos seguintes interesses: visitar amigos que residem nos quatro cantos do Mundo, ou que por coincidência possam estar de passagem em locais nas proximidades do meu percurso; visitar locais de grande interesse natural, cultural e histórico. Nestes dois últimos campos, procurarei também visitar locais onde Portugal deixou património relevante, sabendo nós quão importante é esse legado, embora pouco protegido e divulgado.
Já agora, antes que me repreendam, quero afirmar que, esta viagem, apesar de especial, não me permitirá visitar todos os países que para já, gostaria de percorrer. Na primeira metade, esquecendo para já a segunda, vou falhar com grande pena minha, o Peru, México e Canadá. Ficarão para outras viagens.

Aguardo pois as vossas sugestões, para que possa enriquecer o meu plano de viagem.
Entretanto, a todos desejo um
ANO NOVO pleno de satisfação, com saúde!

06 dezembro 2005

MEMÓRIAS DA AVÓ ETELVINA

Na sequência da recente morte da avó Etelvina, aproveito para a recordar, com muita saudade, também através de duas fotografias feitas há cerca de seis anos atrás, em minha casa.

Entretanto, aproveito para informar que mantenho o meu plano de iniciar a minha primeira viagem à volta do Mundo, se possível no primeiro Trimestre de 2006.
Só não anuncio já o mês em que partirei porque, estou dependente do aluguer da minha casa. Ou seja, só quando tiver um compromisso sério com os futuros residentes na minha casa é que começarei a viagem.
De qualquer modo, já tenho um itinerário definido para esta viagem, que vos participarei aqui n’O MEU MUNDO ainda este mês.
Até lá, aproveito para desejar a todos os que usam este meio para saberem de mim, Festas Felizes.

09 outubro 2005

EUROPA OCIDENTAL – Semana de 3 a 9 de Outubro

Segunda-feira, saio de Beaugency em direcção a Toulouse. Começo por acompanhar o rio Loire até Tours. Das várias estradas disponíveis, a mais interessante do ponto de vista cénico é a do lado sul do rio, muito próxima deste.
Depois de Blois, a paisagem é ainda mais interessante, alternando florestas, pequenas povoações e vistas para o rio.
Paro em Amboise, uma localidade pitoresca, com um dos castelos mais famosos, com o nome da terra. Em Tours, decido continuar a jornada, para já em direcção a Limoges. Aqui chegado ao fim da tarde, sigo viagem para Toulouse, onde chego quase à meia-noite. Para surpresa minha, os hotéis da cidade parecem estar cheios. Consigo encontrar quarto, com vista para a sala de pequenos-almoços do próprio hotel, por 110 euros.

Terça-feira, visito a área urbana antiga de Toulouse, interessante, e deparo-me com uma manifestação de trabalhadores grevistas que desfilam pela manutenção dos seus (ricos) direitos profissionais. Esta greve é nacional, e impressiona-me a capacidade de mobilização dos sindicatos franceses, que levam muitos milhares de pessoas, de vários quadrantes, para um desfile nas ruas. Segundo a imprensa, em todo o país mais de um milhão de cidadãos participaram nas manifestações de rua.
Ao princípio da tarde volto à estrada, a caminho de Pau. Saindo de Toulouse começamos a ter à nossa esquerda a muralha montanhosa dos Pirinéus, que separa a França da Espanha.
Chegado a Pau, encontro um hotel simpático, Montpensier, e deparo-me com uma recepcionista brasileira.
Vou jantar a um restaurante tradicional de Pau, La Goulue, onde pouco depois de eu entrar, chegaram três homens acompanhados por dois cães, sendo que um dos cães, minúsculo, ficou sentado ao colo do dono, não se contendo em tentar comer do prato deste. Com franqueza, tive vontade de sair do restaurante, como forma de protesto pela promiscuidade da situação, mas acabei por ficar e apreciar o ambiente geral.
Depois do jantar, passeei pelo centro da cidade e constatei duas curiosidades: estando Pau numa área climatérica fria, pela proximidade das montanhas dos Pirinéus, encontramos nos jardins públicos uma elevada quantidade de palmeiras. Lá como cá, há uma febre tropical.
Por razão que desconheço, na área comercial da cidade, existe uma quantidade/percentagem elevada de casas de lingerie femininas.

Quarta-feira, pouco depois de acordar, recebo uma notícia indesejável mas, de algum modo previsível: a minha avó, mãe da minha mãe, com 94 anos de idade, faleceu.
Desde há mais de um ano que a vida dela se degradou substancialmente, e por tabela, a da minha mãe, com quem vivia. Agora, a sua vida e sofrimento, terminaram.
Quanto a mim, tenho-a como uma das minhas referências morais, com quem aprendi muito.
Curiosamente, na véspera, dia da sua morte, passei perto de Lourdes, local de peregrinação dos católicos, como a minha avó, onde estive com ela há quase 30 anos atrás, em passeio. Não pude deixar de recordar esse facto, e de desejar que a fé que a acompanhou até agora a protegesse de males maiores.
Triste, constato que no espaço de sete meses perdi duas das três mulheres mais importantes da minha vida, a Ana e a avó Etelvina.
Assim, altero os meus planos de modo a viajar hoje até casa, em Portugal. Como o meu irmão Jorge, residente em Madrid, está interessado em ir também a Portugal para se despedir da nossa avó, combino passar em Madrid e seguirmos para Portugal. Em perspectiva, tenho cerca de 1.200 Km para percorrer hoje. Saio de Pau cerca das 12 horas, começando por percorrer os cerca de 100 Km iniciais, até à fronteira com Espanha, numa estrada de montanha, que atravessa os Pirinéus.
Apesar da pressa, perante a majestade das paisagens que ladeiam a estrada, tenho que as apreciar minimamente, parando algumas vezes.
As belezas proporcionadas pela natureza seduzem-me quase sempre mais do que as que o ser humano produz.
A passagem de França para Espanha faz-se através do túnel de Somport que, com cerca de 9 Km de extensão, é o mais longo que me lembro de atravessar até hoje. Aqui, a segurança é levada a sério. Para além de sinalização rigorosa e limite de velocidade adequado às circunstâncias, as duas extremidades do túnel estão permanentemente vigiadas por especialistas em segurança, que inspeccionam todas as viaturas pesadas que ali passam.
Chegado ao lado espanhol, noto de imediato alterações na paisagem, que passa a ser mais agreste, com menor densidade de vegetação. Verifico também um aumento significativo da temperatura do ar.
Gradualmente, a paisagem vai-se tornando mais árida, a ponto de em breve se parecer com outras paisagens que me são familiares no norte de África, em Marrocos, aqui tão próximo.
Com tudo o que se passa a nível climatérico e de ordenamento dos territórios ibéricos, tudo leva a pensar que, em breve, poderemos vir a ter um prolongamento do grande deserto do Sara, na Península Ibérica.
Vem-me à memória o problema da seca que tem afectado particularmente esta região, e a preocupação que também os franceses demonstram relativamente a este flagelo. Efectivamente, em Paris, constatei que alguns espaços públicos estão privados de água em fontes e repuxos, como medida de contenção dos gastos de água.
Na ocasião, pensei que bom seria que Portugal tivesse uma seca como a que afecta França.
Também me vem à memória uma história recente de amigos meus, a Paula e o Maurício, que receberam em sua casa uma amiga de uma viagem feita em 2004, à Mauritânia, onde esta reside. Quando a mesma se confrontou com o jardim relvado da casa da Paula e do Maurício, disse-lhes que tudo o ali via estava muito distante do conceito de seca e aridez dela. Na verdade, esta portuguesa residente na Mauritânia, vive há vários anos no deserto profundo do Sara, certamente um dos locais mais secos do planeta.
Chego a Madrid ao final da tarde, e encontro o Jorge numa esquina da avenida Castellana, seguindo viagem. Antes da uma hora da madrugada chegamos a minha casa.

Assim, de modo imprevisto, chega ao fim o passeio que planeei pela Europa Ocidental, para visitar alguns amigos.
À parte as impressões já registadas, fica-me a certeza que, comparativamente com os países que agora visitei, Portugal figura como um parente pobre. O termo “pobre” é aqui aplicado não tanto aos aspectos económicos que caracterizam as sociedades mas sim, aos indicadores de educação cívica e moral, e ao nível cultural. Provavelmente, o atraso económico de Portugal no grupo da União Europeia deriva precisamente dos outros indicadores que também nos são desfavoráveis.
Dos poucos países agora visitados, os que mais me agradaram na globalidade foram França e Holanda. Poderia equacionar viver em França, não em Paris mas numa pequena cidade do sul.
Mas esta é uma decisão que terá que ser muito ponderada. Qualquer decisão que me comprometa relativamente à minha vida futura só será tomada depois de eu empreender a viagem à volta do mundo, com início previsto para o primeiro trimestre de 2006, e só depois de visitar a Nova Zelândia, meu actual modelo.

27 agosto 2005

MEMÓRIAS DA ANA

Há quase seis meses que a Ana partiu. Neste período, muitas lembranças relacionadas com ela têm-nos tocado.
No meu caso, posso assegurar-lhes que a Ana contínua comigo diariamente. Aliás, a minha relação emocional com as memórias dela tem sido mais difícil do que eu imaginava.

De entre as muitas tarefas decorrentes das mudanças que têm afectado a minha vida nestes últimos meses, há uma que me dá particular prazer: refiro-me à recuperação do arquivo fotográfico familiar, constituído por milhares de fotografias, não só as que dizem respeito à minha vida com a Ana, mas também o arquivo do meu pai, também fotógrafo por paixão.
Recentemente, comprei um scanner com o qual estou a digitalizar uma parte destas memórias fotográficas. Este é um trabalho para ser executado num prazo de vários anos.
Por agora, tenho apenas algumas dezenas de imagens digitalizadas, de forma aleatória já que, por um lado estou a dar os primeiros passos nesta área técnica, e por outro, os arquivos estão basicamente desorganizados.

Porque quero partilhar convosco esta e outras experiências, publico a seguir algumas das fotografias recentemente transferidas para o arquivo digital.
Se quiserem, poderão guardá-las no vosso computador tal como as vêm no blog ou, se preferirem tê-las em maior resolução e/ou tamanho, digam-me, para poder satisfazer o vosso interesse.

20 julho 2005

REDESCOBRIR O MUNDO

Quem me conhece, sabe o quanto aprecio o contacto com outras culturas e a descoberta de outros mundos.
Pois bem, nesta fase da minha vida, estou interessado em percorrer o Mundo, fundamentalmente por três motivos:
- Os prazeres de viajar.
- A oportunidade de reencontrar amigos que vivem em diferentes locais.
- A possibilidade de descobrir um “canto” que me atraia, em que me sinta bem, no qual possa encarar uma vida diferente da que vivi nos últimos anos.

O que começou por ser uma possível volta ao mundo, ininterrupta, será um conjunto de viagens, a começar pela Europa, a partir do início de Setembro próximo.
Nessa ocasião, irei de carro (para já irei só, a não ser que algum de vós queira acompanhar-me) percorrer pelo menos uma parte da Europa ocidental. Os países de visita obrigatória são, para já: Espanha, França, Bélgica, Holanda e Alemanha.
Dependendo de vários factores, poderei ainda deslocar-me a Inglaterra, ou a países da Europa central – Áustria, Suiça, …
Por razões que se prendem com a reorganização da minha vida, terei que regressar a Portugal durante o mês de Outubro.
No primeiro trimestre de 2006, irei então partir para uma etapa mais longa, viajando sobretudo de avião, sem limite de tempo, esperando percorrer outras regiões.

Para que possamos manter os contactos, comprometo-me a dar-lhes notícias dos mundos que vier a visitar, através deste meio.
Para já, para que saibam o que for acontecendo, fica a promessa de eu publicar semanalmente, à segunda-feira, uma espécie de diário, que espero vos agrade, e que possam comentar.

Este projecto pode implicar, como já referi, que eu decida viver, durante não sei quanto tempo, noutro local que não em Portugal.
Com isto, quero dizer que esta minha intenção não deve ser interpretada como uma qualquer fuga. Simplesmente, devido às circunstâncias que condicionaram a minha vida nos últimos quatro anos, quero avaliar outros locais, em termos de condições de vida, segundo os princípios que prezo para a mesma.
Estes, de momento, não me fazem sentir prazer e conforto, vivendo em Portugal.
Se vier a encontrar o meu lugar no Mundo, espero que possa manter contactos com cada um dos amigos que estão em Portugal.
Depois de aqui viver 31 anos, muitos laços me unem a esta terra.

30 junho 2005

A BOA VIDA ...


Ontem, 29 de Junho, eu e mais cerca de 30 amigos e amigas desfrutámos de uma bela noite de convívio.

Tudo começou nas instalações (elegantes) da Fundação Oriente, anfitriã de um concerto protagonizado pelo Jack Glatzer, violinista e meu querido amigo.
No pátio contíguo ao jardim, o Jack brindou-nos com a sua destreza musical e eloquência verbal, interpretando músicas de quatro compositores, entre os quais o incontornável Niccolo Paganini.
A plateia composta por aproximadamente 100 espectadores, gostou e agradeceu.

Após o aperitivo musical, a maioria de nós, mais precisamente 25, caminhámos até ao Restaurante Jardim dos Sentidos, próximo da Praça da Alegria, sempre bonita, até no nome.
Neste restaurante, recente e desconhecido para quase todos nós, jantámos no jardim, generoso em espaço, e com abundância de palmeiras. De referir que nesta casa, de ambiente muito agradável, são servidas iguarias da classe vegetariana, o que não deve atemorizar os carnívoros.
Todos, sem excepção, teceram comentários elogiosos ao que nos foi servido, com grande simpatia, pela Rita Rodrigues e seu/suas ajudantes.

Foi uma noite de Verão para recordar … a boa vida.

17 junho 2005

JACK GLATZER – Espectáculo único em Portugal

Quem conhece o Jack Glatzer, sabe o que nos espera: música erudita, para os apreciadores, e uma postura humana inigualável de riqueza e generosidade.
Quem ainda não o conhece, tem agora uma oportunidade rara de o ver e ouvir ao vivo, em Portugal.
Se querem mais informações, saibam que o Jack (para os amigos) nasceu nos E.U.A., mais precisamente no Texas. Desde cedo elegeu a música como a sua área profissional, e mais particularmente o violino.
Nos anos 60 do século XX, veio a Portugal à procura de um mestre de violino e, depois de o encontrar, tomou-se de amor por uma portuguesa, de Angola, Clara de seu nome, com quem decidiu viver em Portugal, quando não viaja pelos quatro cantos do mundo.

Pois bem, no próximo dia 29 de Junho, a partir das 18.30 horas, em Lisboa, nas instalações da Fundação Oriente, na Rua do Salitre, o Jack vai tocar a música de que gosta, para uma plateia de amigos. A entrada será gratuita.
Depois do concerto, iremos jantar, para o que aceito inscrições através do meu endereço de correio electrónico (fmouramachado@gmail.com).
Mais informações em www.jackglatzer.com e www.foriente.pt

Vemo-nos lá!

ALGARVE - Junho de 2005

A convite da Romy e do Eduardo Jorge, para aproveitarmos um fim de semana duplo, proporcionado pelos feriados de 10 e 13 de Junho, fui ao Algarve, região que não me entusiasma, sobretudo pelos excessos cometidos em nome do desenvolvimento turístico, e o elevado movimento de visitantes que inundam a região, sobretudo nos meses de Verão.

A Romy e o Eduardo Jorge são proprietários de uma casa agradável na Quinta do Lago, área que escapou à avalanche da construção de má qualidade e gosto.
Tendo chegado ao final da tarde, fomos jantar ao Restaurante António Tá Certo, na Praia do Garrão.
Local conhecido da Romy e do E. Jorge, com ampla esplanada, em cima do areal da praia, deserta à hora a que chegámos. O tempo estava perfeito, nem calor nem frio, sem vento, e o mar rolava sereno para a praia.
Depois de saudados pela proprietária do restaurante, Dina, que mais tarde fez uma dissertação apaixonada sobre os vários cães que com ela e o marido, cozinheiro, coabitam em família, encomendámos o jantar, sem ver o menu. Comemos com agrado um robalo grande, antecedido por amêijoas.
A custo, deixámos o local e fomos para casa.

No dia seguinte, dia de Portugal, preguiçámos e só saímos ao início da tarde para ir a Faro, almoçar num restaurante na área da praia. Esta é um exemplo do que de mau se fez no Algarve, no plano urbanístico, nas últimas décadas.
De volta a casa, a Romy e o E. Jorge entregaram-se às tarefas da cozinha, preparando o jantar para o qual convidaram outros amigos (Filomena e José Carlos; Ana Isabel e Joca) que também vieram para Sul.
Antes do jantar, fui passear a pé pelos terrenos circundantes do local em que nos encontramos, nomeadamente no campo de golfe, que estava deserto de pessoas, mas cheio de vida, sobretudo de aves, que também parecem apreciar estes amplos espaços verdes, por razões diferentes dos golfistas.
Os amigos convidados para o jantar estavam acompanhados pelos filhos, embora no caso da Ana Isabel e do Joca, apenas estivesse presente o Pedro, já que o Miguel continua a viver na Eslovénia.
Foi curioso verificar que os rapazes, Pedro e Rafael, já estão mais altos que os pais, comprovando a evolução genética da espécie a que pertencemos.
O serão foi bem passado, tendo a conversa incidido particularmente na recente viagem que a Ana Isabel, Joca, Pedro, Eduardo Jorge e Romy, e outros amigos fizeram a África (Quénia) por ocasião do 50º aniversário da Romy.
Pelas histórias desta viagem, será inesquecível para todos os que a fizeram, sendo que para alguns se tratou do primeiro contacto com África, e pelo menos para o Joca, foi um regresso, depois de uma longa ausência.

Sábado, levou-nos a Quarteira, novamente o Algarve no seu pior, para visitarmos o mercado de peixe, com fracas condições físicas mas, segundo os entendidos, com a melhor oferta de peixe fresco do Algarve.
O espaço do mercado estava superlotado, tanto de clientes como de peixe e outros seres marinhos.
A Romy e o E. Jorge escolheram uma garoupa e umas amêijoas, para o jantar de hoje, em que teremos a companhia de outros amigos, que também estão de passagem no Algarve.
Ao final da tarde, fui acompanhar o Joca e o Pedro, que foram jogar golfe. Este é um desporto que não me atrai, pelo simples facto de ser exigente em termos de tempo, para além de ser dispendioso. Em contrapartida, caminhar num campo de golfe proporciona bastante prazer.
O jantar, preparado pela Romy e pelo E. Jorge, consistiu num prato da cozinha angolana, que a todos agradou. Ao serão, vimos filmes e fotografias da recente viagem ao Quénia.

Domingo, foi passado em sossego com amigos, e ao final da tarde fui mostrar à Romy e ao E. Jorge, um lago nas redondezas que tem muitos cágados (?), que eles desconheciam.
Entretanto, tínhamos sido convidados por um casal de amigos deles, para jantar, na casa que têm em Pedras D’el Rei, próximo de Tavira.
Por ser véspera do dia de Sto. António, a Lídia e o Alfredo tinham decorado a casa a condizer com a época. Comemos boas sardinhas e febras assadas nas brasas, e passámos uma noite de convívio agradável.

Segunda-feira, dia de Sto. António, levou-nos, a mim e ao E. Jorge, até Albufeira, onde nos encontrámos com amigos e vizinhos meus (a Madalena e o José), que lá têm um veleiro acostado na marina.
O José e outros amigos, comproprietários do barco, tinham feito a viagem desde Cascais a Albufeira, no barco (Feng-Shui), nos dias anteriores.
Saímos para o mar, com vento moderado e sob o comando do José, velejador experiente, demos um passeio de algumas horas, de Albufeira a Armação de Pêra, em que pudemos confirmar os desvarios de construção ao longo da costa, às vezes em pontos de segurança precária.
Eu e o E. Jorge aprendemos um pouco da arte de velejar, graças à paciência do José. No final, de volta à marina, brindámos com espumante e comemos sushi, feito por brasileiros no supermercado Apolónia, em Almancil.
Ao fim do dia, partimos para nos encontrarmos com alguns dos amigos com quem já estivéramos antes (Ana Isabel, Joca, Paula e Luís Tavira) para jantarmos no restaurante Bar da Julia, na praia Maria Luísa, perto de Albufeira.
Aqui, local frequentado pela Paula e pelo Luís, deliciámo-nos com um magnífico peixe grelhado/escalado.
Depois, metemo-nos à estrada, a caminho de Lisboa.