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14 abril 2007

A ILHA DO NORTE – DE WELLINGTON A AUCKLAND

No último dia de Março, regresso à Ilha do Norte, fazendo o percurso de barco entre Picton e Wellington.
Chegado a Wellington a meio da tarde, com tempo chuvoso, sigo viagem, pelo lado ocidental da ilha, a caminho de Wanganui, onde chego já de noite.
Wanganui é uma cidade interessante, localizada junto à foz do Rio Whanganui, que desagua no Mar da Tasmânia.
Uma das atracções de Wanganui é um barco antigo, movido a carvão, recuperado há alguns anos, após ter sido utilizado, como outros do mesmo estilo, durante muitos anos, como navio de carga e transporte de passageiros, no Rio Whanganui.
Hoje, o “Waimarie” navega de novo no rio, passeando visitantes a um ritmo de outrora. O leito do rio é tranquilo, o que possibilita uma viagem calma, apenas ensombrada por uma forte chuvada que fustigou o navio na parte final do percurso.
Outras das atracções de Wanganui são os seus belos jardins, espaços de lazer propícios a passeios agradáveis e à contemplação da natureza, bem como às muitas aves que por aqui habitam.

De Wanganui dirijo-me para o interior, para norte, em direcção ao Parque Tongariro, o mais antigo de todos os Parques Naturais da NZ.
Para lá chegar, percorro mais uma bela estrada, sinuosa, primeiro ao longo do leito do Rio Whanganui, e mais tarde por entre florestas de pinheiros, subindo em direcção ao planalto central da ilha, onde se situa o Parque Tongariro.
Este parque tem um duplo estatuto de Património da Humanidade, como área natural e também cultural. Do ponto de vista da natureza, sobressaem três cumes montanhosos, vulcânicos, Tongariro, Ngauruhoe e Ruapehu.
Este último, um vulcão activo, teve recentemente, há poucas semanas, uma manifestação de vida que foi amplamente noticiada. O Monte Ruapehu, tinha a sua cratera repleta de água e detritos, sendo aguardada uma descarga parcial, mediante a ruptura duma parte da parede da cratera. Para prevenir tal acontecimento, designado como “lahar”, que em meados do século passado provocou uma tragédia, quando a torrente de lama e detritos colheu um comboio de passageiros, vitimados pela enxurrada, as autoridades procederam a uma série de trabalhos, no sentido de controlar os elementos da natureza, quando acontecesse a “lahar”.
E foi precisamente isso que aconteceu há pouco, quando mais de um milhão de metros cúbicos de lama e detritos, derramados pela cratera do vulcão Ruapehu, correram encosta abaixo, levando consigo tudo o que estava no seu caminho, mas sem qualquer prejuízo significativo, nem perdas humanas.

É pois na base do vulcão Ruapehu que eu vou passar as próximas duas noites, numa pequena povoação chamada Whakapapa, onde para além de alguns hotéis, existe um excelente centro de informações do DOC (Department of Conservation).
Neste parque, existem inúmeros passeios pedestres disponíveis, literalmente para todos os gostos e capacidades físicas dos caminhantes. Provavelmente o mais popular de todos, por muitos designado como “o mais belo passeio dum só dia da NZ”, seja o “Tongariro Crossing”, longo percurso pelo planalto, com vistas soberbas para os três vulcões e lagos de águas cristalinas.
Mas, o “Tongariro Crossing” é demasiado exigente para mim, pelo que me contento em fazer, no mesmo dia, dois outros belos passeios, cada um com cerca de tês horas de duração.
Pela manhã, comecei pelo “Sílica Rapids”, que começa numa espécie de estepe, na encosta do Ruapehu. Em determinada altura, chego ao local onde confluem dois pequenos rios que correm velozes montanha abaixo. Um deles, tem a água cristalina, o que não surpreende, mas o outro, Waikare, cujo leito dista do anterior apenas algumas dezenas de metros, apresenta uma cor amarela clara, como se alguém tivesse pintado o leito do rio, embora a água seja igualmente cristalina.
A coloração do leito deste rio deve-se ao facto da água conter minerais (em inglês, alumino-silicate) que vão sendo depositados no fundo, à medida que a água desliza pela encosta da montanha. Mesmo depois da junção dos dois rios, durante algumas centenas de metros, permanece a situação.
Continuando o passeio, ao longo deste rio, o trilho entra numa área florestal onde mais uma vez, encontro as aves mais engraçadas que conheço na NZ. Refiro-me aos pequenos “Fantails”, pouco maiores que pardais, que devem o nome ao facto de terem uma cauda que, em determinadas ocasiões abrem, como se dum leque se tratasse. Como se isto já não fosse suficientemente interessante, ainda se dão ao prazer de se aproximarem dos caminhantes, normalmente em áreas com bastante vegetação, fazendo um voo errante, como se fossem borboletas, à nossa volta. Habitualmente, os “Fantails” apresentam-se em pares, provavelmente casais.
Depois de cruzar alguns outros cursos de água, sempre por pontes de madeira, o percurso termina junto à estrada que sobe para a estância de esqui que se encontra alguns quilómetros acima de Whakapapa.
Após o almoço, avanço para o segundo passeio do dia, “Taranaki Falls”, que começa à porta do hotel onde me encontro. Também este começa numa área de vegetação rasteira, para depois passar por uma floresta, voltando aos espaços amplos, rochosos, até alcançar o topo duma elevação, do qual se despenha a água dum pequeno rio, até alcançar a base, onde um pequeno lago de águas transparentes convida no mínimo à contemplação, prosseguindo então o leito do rio, já sereno.
Esta parte do percurso, ao longo do rio, por entre uma bela floresta, faço-a na companhia duma família irlandesa, o casal Paula e John, e os filhos Sadhbh (este nome irlandês pronuncia-se “Saive”) e Finn, residentes em Tóquio, Japão.
Eles estão pela primeira vez na NZ, aproveitando um curto período de férias, duma semana. Naturalmente, estão encantados.

No dia seguinte, parto do Parque Tongariro, seguindo para norte, abordando o Lago Taupo, o maior lago da NZ, por sul, percorrendo então o seu lado oriental, até chegar à cidade de Taupo.
Nesta parte do percurso, observo várias referências à abundância de trutas, nas águas do lago e nos cursos de água mais próximos. Aliás, esta região é considerada das melhores do mundo para a pesca de trutas, não apenas pela abundância destas, mas também pelo tamanho.
Infelizmente, a única forma de podermos apreciar este peixe, como comida, na NZ, é pescando-o, já que não se encontra à venda, sendo interdita a sua comercialização.
A cidade de Taupo, situada no lado norte do lago, goza das mesmas regalias doutras cidades da NZ: excelente localização, uma frente de lago com magnificas condições para passeios, piqueniques, ou simplesmente para praia, belos jardins (particularmente a Reserva Botânica Waipahihi) e, como valor acrescentado, locais próximos onde se podem observar manifestações secundárias de vulcanismo.
Estes sinais de vulcanismo, estão ligados a diversos vulcões activos que se encontram na Ilha do Norte, mas também a um vulcão extinto que existiu onde hoje está o Lago Taupo, que se formou quando aqui ocorreu a maior erupção vulcânica registada no planeta nos últimos milhares de anos. Esta erupção terá sido tão violenta que, toda a Ilha do Norte ficou coberta pelas cinzas emanadas pelo vulcão.
Das muitas áreas de interesse abertas a visitas, onde se podem observar manifestações secundárias de vulcanismo, próximas de Taupo, pude visitar “Craters of the Moon”, onde, numa área de dezenas de hectares, caminhamos quase sobre brasas, tantas são as erupções de gazes e líquidos que surgem de todos os lados.
Estas manifestações de energia provenientes do interior da terra resultam em constantes mutações à superfície, já que a NZ se encontra num ponto de confluência de duas placas tectónicas que se movimentam, colidindo.
Um pouco mais distante de Taupo, situa-se a área de “Orakei Korako”, também conhecida como “Hidden Valley”. A entrada nesta área faz-se através dum lago, que se percorre de barco, para então caminharmos por um trilho que nos leva a diversos locais onde ocorrem grande quantidade, e maior variedade, de manifestações secundárias de vulcanismo, que no local anteriormente descrito.
Ainda nos arredores de Taupo, merece destaque o local designado “Huka Falls”, onde o leito do Rio Waikato, um dos mais importantes da Ilha do Norte, estreita subitamente, fazendo com que as águas percorram um longo canal rochoso, com cerca de 15 metros de largura, ganhando velocidade e força, para então se despenharem numa pequena mas vigorosa queda de água.

De Taupo, viajo um pouco para norte, para Rotorua, também ela situada junto a um grande lago, com o mesmo nome, cidade importante, sobretudo pela cultura Maori, que tem nesta região a sua presença mais significativa, e também pelas abundantes manifestações secundárias de vulcanismo.
A minha curta estada em Rotorua permite-me apenas visitar os arredores localizados a sudeste, onde se encontram vários outros lagos. Um destes, o maior, Lago Tarawera, de grande beleza cénica, tem ao seu lado o Monte Tarawera, vulcão inactivo, que em 1886 teve uma violenta erupção, a qual destruiu uma área então designada de Terraços Brancos e Rosa, que pela beleza e dimensão era uma atracção turística importante nesta região.
Infelizmente, a erupção vulcânica de 1886 do Vulcão Tarawera fez com que os Terraços fossem submersos pelas águas do Lago Tarawera mas, mesmo assim, a área atrai a atenção de muitas pessoas, como atestam as centenas de casas que bordejam o lado ocidental do lago.

De Rotorua sigo para Hamilton, para me despedir da minha amiga Cecilie, que me acolhe com muita alegria e carinho, para então fazer o último percurso de estrada até Auckland.
Aqui, antes de sair da NZ, fico duas noites, para tratar de alguns aspectos logísticos, e para me despedir da NZ.
No último dia passado em Auckland, almoço no Mercado de Peixe, deliciando-me com uma dúzia de ostras de Bluff, e admiro mais uma vez os magníficos iates que se encontram no Porto de Recreio mais próximo do centro da cidade.

Setenta e quatro dias passados na NZ, quase 7.000 km percorridos nas suas estradas, e duas mil seiscentas e trinta e quatro fotografias aqui tiradas, resultam numa experiência inolvidável, que me fará cá voltar, logo que possível.

Agora, sigo para a Austrália, com três objectivos: visitar amigos lá residentes, conhecer melhor a cidade de Sidney, e descansar.

08 março 2007

A ILHA DO NORTE – DE HAMILTON A WELLINGTON

De Whangamata até Hamilton, para sudoeste, a estrada percorre maioritariamente extensos campos agrícolas e pequenas povoações.
Chegado a Hamilton, provavelmente a terceira cidade mais populosa da Ilha do Norte, dirijo-me a casa da Cecilie, seguindo as instruções que ela me havia enviado por e-mail. Sem dificuldades, encontro a casa e a Cecilie.
Não nos víamos há quase 13 anos, quando eu e a Ana visitámos Hamilton, onde na altura viviam a Cecilie e o Gregor, seu companheiro, entretanto falecido.
Naturalmente, revemos bons momentos então vividos, e recordamos amigos comuns, nomeadamente a Clara e o Jack, sendo este, companheiro de música da Cecilie. A Cecilie é pianista de música clássica, e por isso, tem acompanhado o Jack em muitos recitais dados na NZ, onde o Jack se desloca com alguma regularidade.

No dia seguinte à minha chegada, saímos de Hamilton, para passear de carro pela região.
O primeiro destino está algumas dezenas de quilómetros a sul da cidade. É uma área conhecida pelas muitas grutas que existem no subsolo, nomeadamente umas onde existem uns seres vivos peculiares, raros, chamados em inglês, “glowworms”. Estes seres minúsculos, têm a particularidade de emitirem luz, quando num ambiente escuro, o que sucede nestas grutas.
As grutas de Waitomo, que eu tinha visitado há 13 anos, são uma das principais atracções turísticas desta região.
A visita às grutas onde vivem os “glowworms” é feita com a supervisão de guias, e culmina com um passeio de barco, em silêncio, às escuras, no leito dum rio subterrâneo, sobre o qual, no tecto das grutas, vivem milhares de “glowworms”.
O efeito luminoso causado por estes é interessante, parecendo que o tecto das grutas se transforma no céu estrelado.
O passeio de barco termina no local onde o leito do rio volta à superfície, numa área de vegetação luxuriante.
Sendo esta região rica em grutas, existem outras que estão abertas ao público, pelo que decidimos visitar uma nova para ambos, a gruta Ruakuri.
Sem a presença de “glowworms”, nem do rio subterrâneo, esta gruta revela-se mais interessante que a anterior, no que respeita a formações calcárias de estalactites e estalagmites, com tamanhos e formas diversas, que dão asas à nossa imaginação.

De regresso à superfície, viajamos para ocidente, em direcção à costa deste lado do país, onde ainda não tinha estado.
Esta estrada secundária, sinuosa, é apenas um exemplo da invulgar beleza das paisagens neozelandesas, que podem ser observadas a partir das estradas. Para além das grutas, e de percursos pedestres que lhes estão associados, paramos numa área onde acedemos a uma bela e imponente catarata (Marokopa Falls), para mais tarde passarmos em frente a um ponte natural, em rocha, que já conheço de anterior visita, pelo que não paramos aqui, para podermos alcançar outros locais igualmente interessantes.
Ao aproximarmo-nos do litoral, contornamos uma grande enseada, quase seca, pelo facto de estarmos no período de maré baixa.
Chegados à costa, em Kawhia, vamos directos à praia, onde a Cecilie garante existirem erupções de água quente. Esta praia, tem muitos quilómetros de extensão, um areal profundo, de areia escura, e está praticamente deserta, apesar de estarmos no Verão, com um belo dia, e ser sábado.
Quando chegámos, ao final da tarde, encontrámos algumas pessoas, não mais que meia dúzia, que cavavam na areia, talvez à procura da água quente.
Nós os dois, aproveitámos para tomar banho, mesmo sem a água quente, num mar com fortes correntes e ondulação. Esta costa, sobretudo para norte, é popular entre os surfistas, pelas características do mar.
Quando saímos da praia, olhámos para ambos os lados do areal, e não vislumbrámos qualquer outra pessoa.
Seguimos o nosso passeio, desta vez numa estrada em terra, para norte, em direcção a Raglan, onde vamos jantar, após o que regressamos a Hamilton.

Nos dias seguintes, ficamos em Hamilton, aproveitando para passear na cidade, particularmente num extenso parque designado Hamilton Gardens.
Este parque foi construído num local onde anteriormente existiu um aterro sanitário, e é um espaço modelar pelas valências que oferece aos utentes. Para além das áreas arborizadas que acompanham as margens do rio Waikato, um dos maiores da NZ, no qual se pode tomar banho em plena cidade, o parque tem uma série de jardins temáticos, dedicados a diversas culturas, como por exemplo, Índia, Itália, Japão e Inglaterra. Este conceito é interessante já que, para além de espécies botânicas características dos países representados, os jardins temáticos estão desenhados de acordo com a estética dos mesmos, contendo alguns elementos arquitectónicos e decorativos alusivos às respectivas culturas.
Nesta altura do ano, decorre neste parque um Festival Cultural, que inclui espectáculos diversos, de música, teatro e ópera, bem como actividades destinadas às crianças.

Numa das noites passadas em Hamilton, pudemos assistir a um recital de piano, pelo russo Konstantin Scherbakov, que está a efectuar uma digressão pela NZ.
O recital decorreu na principal sala de música da cidade, designada WEL, projecto recente, de estilo contemporâneo, atraente, sem ser pretensioso.
Numa outra noite, jantámos com um casal residente em Hamilton, Vera e Wayne, ela holandesa e ele neozelandês, amigos da Cecilie, que eu tinha conhecido aqui em Hamilton, em 1994.

Agora, é tempo de deixar Hamilton, para mais tarde regressar, quando voltar do sul, para então me despedir da Cecilie.
Para já, vou voltar ao lado oriental da Ilha do Norte, que irei percorrer até chegar a Wellington.
Hoje, viajo até Tauranga, a principal cidade da região chamada Bay of Plenty, e um dos principais portos de mercadoria do país. Os dois principais produtos que são exportados a partir do porto de Tauranga são, o kiwi (fruta) e madeira.
Por sugestão da Cecilie, vou ficar hospedado em casa dum casal de amigos dela, a Stephanie e o Colin, ali residentes.
Chegado a Tauranga, procedo como habitualmente na NZ. Dirijo-me primeiro ao posto de informações turísticas, onde procuro informações sobre a região, e daí sigo para casa do casal que me recebe com simpatia.
O Colin, que é um artesão de violinos, quase reformado, oferece-se para me guiar numa visita à cidade e arredores, o que aceito.
Assim, no dia seguinte à minha chegada, partimos os dois para um passeio ao longo do qual, atravessamos a área portuária, situada numa baía interior, para alcançarmos a costa, junto ao Monte Maunganui, um vulcão extinto, a partir do qual se alcançam muitos quilómetros de praia, como sempre, quase deserta.
Tauranga tem uma área central à beira da baía, com bastante comércio, onde mais tarde jantamos os três num bom restaurante, Kestrel, que funciona entre uma estrutura construída em terra e uma embarcação, que em tempos idos serviu de transporte de passageiros entre Auckland e o subúrbio de Devonport.

De Tauranga, parto em direcção a East Cape, o ponto mais oriental da NZ.
Para lá chegar, percorro uma estrada costeira sinuosa, de grande beleza cénica, ao longo da qual passo por inúmeras baías, umas mais extensas que outras, com praias de areia ou pedra. No lado de terra, sucedem-se pequenas montanhas, debruçadas sobre a costa, com muita vegetação.
Esta região tem poucos habitantes, o que para a média da NZ significa que aqui não há quase ninguém, e a maioria dos veículos com que me cruzo são de pescadores, atraídos pela abundância de peixe.
Muitos dos carros dos pescadores trazem barcos atrelados, o que confirma a paixão dos neozelandeses por barcos. Aliás, na NZ, para além da grande quantidade de marinas para as embarcações de recreio, também se encontram com facilidade e em boas condições, por toda a costa, pontos de acesso ao mar.
Antes de chegar ao ponto mais oriental, faço uma paragem de duas noites numa aldeia,
Te Kaha, ficando alojado numa casa de turismo de habitação, Tui Lodge.
Esta casa, inserida numa propriedade com pouco mais dum hectare de área, está localizada a cerca dum quilómetro da costa, sendo que, da casa se alcança o mar e neste, ao longe, a pequena ilha White Island, ocupada por um vulcão activo há vários anos, que é uma das atracções desta região.
O Tui Lodge é uma casa confortável, habitada pelos seus proprietários, Joyce e Rex, e um dos filhos deles, Peter, todos neozelandeses. O Rex e a Joyce são excelentes anfitriões, com um sentido de humor apurado. O Rex, com 83 anos de idade, e a Joyce, à qual não perguntei a idade, cuidam de tudo, e não têm empregados.
Antes de viverem neste “paraíso”, habitaram na Nova Guiné, da qual guardam boas recordações.
Nos dois dias que com eles passei, conheci também um outro filho deles, Malcolm, que veio passar uns dias com os pais, sobretudo para caçar.
Aqui, aproveitei o tempo para conhecer melhor o litoral da região, com pequenas baías rochosas, e acessos difíceis ao mar, quer pela morfologia do terreno, quer porque a maior parte dos terrenos costeiros são propriedade de Maoris, que restringem o acesso ao mar.
Frente a uma das pequenas baías encontrei um local delicioso: uma pequena propriedade rural, Pacific Coast Macadamias, com um pomar de árvores que produzem macadamias (este é o nome inglês das nozes produzidas por estas árvores, do qual desconheço o correspondente nome português).
Inserido no pomar, existe uma loja, na qual são servidas iguarias feitas a partir da macadamia. Desde as nozes naturais, a gelados, passando por doces diversos e manteiga, há muito para nos atrair.

Novamente a caminho, em direcção a East Cape, passo por baías cada vez mais isoladas e agrestes, onde para além de pedra, impressiona a quantidade de escolhos de madeira que o mar traz para terra. Ao longo da estrada, cruzo vários rios, com pouca água, pela época do ano em que estamos. Invariavelmente, a água dos rios é limpa, assim como os leitos, sem lixo, e normalmente encontro pessoas a tomar banho, e/ou a pescar.
Para se chegar a East Cape, há que fazer um desvio de cerca de 20 km, regressando posteriormente pelo mesmo caminho à estrada principal, a partir da povoação de Te Araroa. Este percurso, feito sempre à beira-mar, revela uma das costas mais inóspitas que conheço, devassada por ventos fortes, e menos afectada pelos seres humanos que, como sabemos, temos uma especial predilecção por qualquer pedaço de terra que esteja próximo do mar, sendo que, muitas vezes, essa atracção proporciona resultados desastrosos.
Aqui, quase não se vêm construções, e a maior parte do terreno é ocupada por propriedades rurais, vendo-se bastante gado a pastar.
Chegado ao final da estrada, deparo-me com uma colina apreciável, no topo da qual se encontra um farol. Hesito quanto à subida, e acabo por ficar cá em baixo, a olhar para o alto. Estou condicionado pelo facto de estar a viajar sozinho, o que me leva a ter cuidados especiais no que respeita a deixar o carro em locais ermos, com toda a minha bagagem, e também porque ainda tenho várias horas de viagem, até chegar ao meu destino diário.
Assim, volto à estrada principal, não sem antes parar junto ao mar para molhar os pés, num dos locais mais remotos e isolados em que estive.
Daqui até Gisborne, para sul, a estrada afasta-se da costa, voltando a esta esporadicamente, para revelar novas baías e algumas povoações. Ao longo desta estrada, terrenos agrícolas e muito gado, numa paisagem campestre, com menos vegetação que no lado oposto da Península.

Gisborne, é uma pequena cidade, a mais oriental da NZ, e por isso a que primeiro vê o sol a nascer no mundo. É conhecida particularmente pelas extensas praias frequentadas por surfistas, e pelo facto histórico de, ter sido aqui que, em 1769, o Capitão Cook, aquele que comandou a primeira viagem inglesa a estas paragens, avistou terra e aportou.

De Gisborne, sigo para sul, para ficar na pequena Península de Mahia, outrora uma ilha.
Esta é uma região afastada de centros populacionais importantes, e por isso isolada. Das pequenas povoações que existem na Península, a menos pequena é Mahia Beach, no lado ocidental, onde fico.
Aqui, hospedo-me numa casa de turismo de habitação, Seashore B&B, que está literalmente, sobre a praia. Os proprietários, Marie e John, estabeleceram-se neste local há poucos anos, depois de terem vivido numa região interior, não muito distante, onde trabalharam como agricultores.
Agora, a Marie cuida da casa e dos hóspedes, e fá-lo de modo exemplar, e o John trabalha na construção e manutenção de imóveis, dedicando-se à pesca nas horas vagas.
Nesta região, as extensas praias estão praticamente desertas. Numa delas, Pukenui Beach, longa de vários quilómetros, caminhei durante duas horas, ao longo das quais apenas vi um casal, e uma mulher local, que passeava com três cães, que corriam incessantemente pela praia, brincando como crianças, e perseguindo as aves marinhas que por lá andavam.

Prossigo a minha viagem para sul, até Napier. Pelo caminho, observo extensos campos agrícolas, com muita vinha (esta é uma das principais regiões vinícolas da NZ), e muito gado. Passo por uma área de grande beleza paisagística, do Lago Tutira, onde não paro.
Napier é uma pequena cidade situada no litoral, reconhecida como uma jóia arquitectónica do período Art Deco.
Embora a cidade tenha sido fundada no século XIX, antes do estilo Art Deco surgir, em 1931, um violento terramoto, seguido por incêndios, destruiu grande parte da cidade.
Felizmente, graças aos esforços e visão das autoridades, Napier renasceu dos escombros, em poucos anos, com uma imagem moderna. Os arquitectos contratados para a execução dos projectos urbanísticos e de arquitectura, optaram pelo estilo Art Deco, em voga na década de 30.
Hoje, Napier tem um dos melhores conjuntos arquitectónicos no mundo, daquele estilo, que constitui a sua imagem de marca.
Um passeio pela cidade, revela formas e cores que me fazem lembrar cenários de filmes.

De Napier, viajo para sul, para a última etapa na Ilha do Norte, antes de seguir para a do Sul. O destino do dia é Wellington, a capital da NZ.
Ao longo dos mais de 300 km do percurso, passo por várias pequenas cidades, parando em Hastings, para visitar uma feira semanal de produtos agrícolas da região, onde entre doces, vinhos, fruta, azeitonas e outros produtos locais, converso com um imigrante alemão que ali vende compotas. Da sua experiência de vida, de três anos, na NZ, diz-me que está tão satisfeito que, não voltará a viver na sua terra natal. A qualidade de vida que aqui tem, é incomparavelmente superior à que tinha na Alemanha, e o clima desta região é muito semelhante ao do Mónaco, sendo o custo de vida muito inferior.
A caminho de Wellington, passo ao largo duma localidade especial, pelo nome. Este, é o nome mais comprido de qualquer localidade do mundo, e é um desafio para qualquer pessoa que o queira decorar (que não é o meu caso).
Socorrendo-me do meu mapa da NZ, passo a copiar: Taumatawhakatangihangakoauauotamateaturipukakapikimaungahoronukupokaiwhenuakitanatahu.

A entrada em Wellington, revela uma cidade espremida entre o oceano e montes que lhe estão próximos, ao longo dos quais a cidade vai crescendo.
É numa destas elevações que vivem a Kristine, filha da Cecilie, com quem estive em Hamilton, o marido Tony, e o filho Ryan. É em casa deles que fico.
Wellington tem outra particularidade, que é a de ser uma cidade ventosa, pela sua localização, na ponta sul da Ilha do Norte, debruçada sobre o Oceano Pacifico. Na verdade, não me lembro de outra cidade onde tenha estado que seja tão ventosa como esta, com tanta regularidade.
Aqui, opto por ficar apenas dois dias, para poder conhecer minimamente a capital da NZ já que, começo a temer pela falta de tempo, para visitar o que de mais importante a Ilha do Sul tem para me oferecer. Para além disso, todas as pessoas com quem tenho falado, que conhecem ambas as ilhas, me garantem que as belezas naturais da Ilha do Sul transcendem as da Ilha do Norte.
Em Wellington, visito essencialmente a área central da cidade, próxima do mar, um tanto confusa do ponto de vista urbanístico, na qual se encontra o principal museu da cidade, conhecido como Museu da NZ/Te Papa (http://www.tepapa.govt.nz/).
O edifício, de grandes dimensões, construído há cerca de dez anos, é mais interessante pelo interior, independentemente do espólio museológico bastante diverso, do que pelo exterior.
Sem que tenha visitado em pormenor as muitas áreas do museu, detive-me na loja (http://www.tepapastore.co.nz/), excelente, onde encontrei a melhor colecção de artes tradicionais de inspiração Maori, que pude ver até hoje.
Fora da área central da cidade, no alto duma das elevações sobranceiras ao mar, está o Jardim Botânico, famoso pela sua beleza paisagística.
Para lá chegar, utilizo o “cable car” que me leva sem esforço colina acima, do alto da qual se alcança um amplo panorama.
Dos poucos restaurantes que conheci em Wellington, destaco o Shed 5, instalado num antigo armazém portuário. Aqui, para além dum bom peixe, deliciei-me com as primeiras ostras de Bluff, pequena localidade situada no extremo meridional da Ilha do Sul, famosa pela qualidade das ostras que ali se produzem. Estas, só estão disponíveis num período do ano, tendo a época começado há poucos dias. A qualidade das saborosíssimas ostras ficou comprovada, pelo que aguardo por novas oportunidades nas próximas semanas.

Agora é tempo de deixar a Ilha do Norte, onde voltarei mais tarde, depois da visita à vizinha do Sul. Até agora, em quase um mês de utilização do carro alugado, percorri cerca de 2.500 km.
Vou pois apanhar o barco, que me levará mais para sul, para terras ainda desconhecidas.

20 fevereiro 2007

A ILHA DO NORTE – COROMANDEL

De carro alugado, com dez anos de vida e muitos quilómetros, mas também, por dez euros por dia … saio de Auckland, para iniciar a minha volta à NZ.
Primeiro destino, a região de Coromandel, localizada numa península, a leste de Auckland.
As estradas que me conduzem à península de Coromandel, não revelam nenhuma beleza particular, pelo que me concentro na condução do carro, e tento habituar-me à ideia de conduzir no lado errado da estrada, já que a NZ herdou do império britânico esta característica.
Chegado à região de Coromandel, à pequena cidade de Thames, aproveito para parar, abastecer o carro de combustível, muito mais barato que em Portugal, e visitar o posto de turismo da cidade, para escolher o meu destino diário.
A este respeito quero dizer que, os serviços de informação destinados aos turistas, na NZ, estão muito bem organizados, não só porque em todos os postos de informações existem muitos elementos gráficos, de boa qualidade, disponíveis gratuitamente, para além de outros que têm valor comercial, mas também, e sobretudo porque, os postos que visitei até agora na NZ, têm funcionários(as) competentes, simpáticos(as) e prestáveis (obrigado Andrea), características que infelizmente, são cada vez mais raras noutros países.
Acresce ainda o facto de, nos postos da NZ, poderem os visitantes dispor dum conjunto de serviços úteis, grátis (reservas de hotéis, alugueres de automóveis, marcações de excursões, entre outros), para além duma oferta variada de produtos neozelandeses, normalmente procurados pelos turistas.

Continuo a minha viagem ao longo da costa ocidental da península de Coromandel, numa bela estrada junto ao mar (GE), para norte, passando pela também pequena cidade de Coromandel, até chegar a Colville, pequena aldeia onde fico durante três noites, no Colville Bay Motel (http://www.colvillebaymotel.co.nz/).
Para além desta unidade hoteleira, Colville tem uma loja (GE), que vende tudo o que os habitantes podem necessitar, desde produtos alimentares até combustível para viaturas, um bar/restaurante ao lado da loja, sendo que ambos pertencem a uma cooperativa de residentes. Este bar/restaurante é provavelmente o único existente nesta região, num raio de 20 km.
Estranhamente ou não, Colville tem também um centro Budista, Mahamudra Retreat Centre (http://www.mahamudra.org.nz/), onde vivem pessoas de várias nacionalidades, praticantes desta religião.

No primeiro dos dois dias completos que aqui passei, limitei-me a percorrer algumas estradas, em terra, para conhecer melhor a região.
É uma área com uma densidade populacional muito baixa, procurada sobretudo por pescadores, dada a abundância de peixe e marisco.
No lado ocidental da península, as praias são sobretudo rochosas, e com muita pedra solta. Já no lado oriental, existe uma extensa praia de areia clara, com dunas, com vários quilómetros de comprimento, em Waikawau Bay.
No dia em que a visitei, um sábado, em pleno Verão, não estavam mais que umas quinze pessoas em toda a praia. Com poucas pessoas, a meu gosto, aproveitei para esticar as pernas, fazendo um longo passeio.
Quanto à água do mar, pude constatar que a temperatura está no limite inferior da área de conforto para o meu corpo ou seja, um pouco acima dos 20º centígrados. De resto, observei que na areia apenas se vêm conchas e bocados de algas, mas não resíduos de plástico, ou outros detritos humanos.
Neste meu segundo dia em Colville, sábado, naturalmente pensei em jantar no bar local, tal como tinha acontecido na noite anterior. Quando lá cheguei, constatei que estava fechado, pelo que me lembrei duma quinta próxima, que recebe hóspedes na modalidade turismo rural, como possível alternativa para poder jantar, evitando uma longa deslocação de carro até Coromandel Town.
Chegado à Colville Farm, perguntei à proprietária se serviam jantar, ao que ela me respondeu negativamente. Antevendo uma noite de jejum, recebi um convite espontâneo da proprietária da quinta para me juntar à família, que estava naquele momento a jantar, com alguns dos hóspedes.
Embaraçado, agradeci e aceitei o convite.
O jantar era ao ar livre, a comida era simples mas, a simpatia dos anfitriões era cativante.
Por entre a curiosidade dos presentes relativamente à minha viagem pelo mundo, lá consegui saber que a quinta tem uma área superior a 1.200 hectares, e milhares de cabeças de gado bovino e ovino, sendo esta a principal actividade.
Quanto a gado, a NZ tem uma população numerosa de gado das duas espécies atrás referidas, sendo as ovelhas as mais numerosas, com cerca de 60.000.000 de exemplares espalhados pelos pastos do país.

No dia seguinte, tenho programada a minha primeira experiência neozelandesa de um longo passeio pedestre.
No topo nordeste da península, onde não existe qualquer estrada, o terreno pode ser percorrido a pé, no que é conhecido como o Coromandel Coastal Walkway.
Para fazer este percurso, recorro aos serviços duma empresa turística que, a partir da cidade de Coromandel, leva os caminhantes até ao inicio do caminho pedestre, em Fletcher Bay, pelo lado ocidental da península, por uma estrada sinuosa em terra, sempre ao longo da costa. Esta é preenchida por pequenas baías rochosas, bordejadas por árvores frondosas, nativas da NZ, as pohutukawas, que se adaptam a qualquer terreno, crescendo de modo anárquico, adquirindo por isso formas estranhas.
Em Fletcher Bay, a Midge, guia e motorista, mulher local cheia de energia e graça, indicou-nos a entrada para o caminho pedestre. Comigo estão duas jovens mulheres europeias, a Barbara, alemã, e a Karin, sueca.
Juntos percorremos a pé os 7.5 km de costa que nos levam até Stony Bay. O percurso é feito de subidas e descidas, com tempo nublado e ventoso, e chuva miudinha, que nos favorece fisicamente mas, restringe a possibilidade de tirarmos boas fotografias.
Ao fim de quatro horas de caminho, chegamos a Stony Bay, onde nos espera a Midge, com um piquenique. Após o merecido descanso, seguimos viagem, de carro, pela costa oriental, até ao destino, no meu caso Colville.

No dia seguinte, parto de Colville em direcção à cidade de Coromandel, para me encontrar com a Barbara, companheira do passeio do dia anterior, a quem dou boleia até Whitianga, destino do dia para ambos.
Um pouco a norte da cidade de Coromandel, apanhamos a estrada 309, parcialmente em terra, ao longo da qual existem várias atracções naturais. As que nos interessam são as cataratas Waiau, pequena queda de água à qual se acede através dum curto mas belo trilho, e o Kauri Grove, floresta onde vivem algumas árvores kauri. Estas árvores autóctones da NZ, são as maiores (em termos de volume de madeira) que existem no país, e das maiores do mundo.
São árvores muito altas, com troncos bastante largos, que podem viver durante milhares de anos. A mais antiga desta floresta tem cerca de 600 anos de idade, e o seu tronco tem quase dois metros de diâmetro.
Infelizmente, durante o século XIX e início do século XX, as kauri foram dizimadas um pouco por todo o país, para utilização da sua madeira. Hoje, são árvores protegidas.
Para se perceber o cuidado e respeito que a NZ tem pela natureza, neste parque, como em muitos outros, os visitantes caminham sobre estrados de madeira sobrelevados em relação ao solo, para evitar danos às plantas existentes.
Chegados a Whitianga, fui forçado a levar o carro a uma oficina, para confirmar as suspeitas de problemas nos travões. Assim, fico sem carro durante um dia, aproveitando para passear a pé, e conhecer os arredores de Whitianga.
Esta pequena cidade, muito simpática, está localizada junto ao oceano Pacífico, na boca duma profunda enseada, frente a uma enorme baía, Mercury Bay. De Whitianga, cruzo a boca da enseada num pequeno barco que transporta passageiros até ao lado oposto, em menos de cinco minutos, para então caminhar ao longo da costa até um promontório chamado Shakespeare Cliff (GE).
Até lá chegar, passo por uma bela praia, quase deserta, onde me delicio a ver inúmeras conchas espalhadas no areal (GE).
Ao caminhar, sou acompanhado pelo canto forte das cigarras, que me fazem lembrar os meus tempos de infância em Angola. A presença sonora das cigarras tem sido uma constante ao longo de todos os passeios feitos até agora nas áreas naturais da NZ. Imagino que estes insectos estão agora mais activos devido ao Verão.

No dia seguinte, já com o carro reparado, dirijo-me de manhã para sudeste de Whitianga, para visitar uma das principais atracções desta região, a praia Hot Water Beach (GE). O nome desta extensa praia provem de nascentes de águas termais que brotam numa pequena área da praia, sendo possível usufruir das mesmas, apenas num período de duas ou três horas próximo da maré baixa.
Como já calculava, esta atracção leva muitos visitantes a esta praia, pelo que não foi surpresa encontrar dezenas de pessoas à procura da água quente.
De facto, esta foi a única praia onde estive até agora na NZ, que posso dizer com muita gente, para o meu gosto. Muitas das pessoas que lá se encontravam, utilizavam pás para cavar na areia, o que dá um trabalhão, já que o mar se encarregava de devolver a areia.
Depois de apreciar o espectáculo, dirigi-me um pouco para norte, para me deliciar na praia de Hahei, junto à Reserva Marinha Te Whanganui A Hei.
Esta é uma praia à minha medida, extensa, com areia macia e limpa, sombra das árvores pohutukawa, mar com ondas, pequenas ilhas à vista, e pouca gente.
Após um banho refrescante, inicio a caminhada para chegar a Cathedral Cove (GE), outra das principais atracções naturais da região.
Cathedral Cove é uma gruta, ou túnel, de grandes dimensões, escavado na rocha pelo mar (GE). Sendo um túnel, liga duas pequenas praias, às quais se chega por um trilho ao longo da costa, que demora cerca de 45 minutos a percorrer.

É tempo de deixar Whitianga, para viajar para Sul, para Whangamata. A estrada é bastante interessante, sobretudo a partir de Tairua, ladeada por extensos pinhais, sendo os pinheiros altos e esbeltos, de espécie distinta das que temos em Portugal. Aqui, as florestas estão limpas, e os incêndios são raros.
Já próximo de Whangamata, faço um desvio para visitar uma área de praia, Opoutere Beach, considerada Reserva Natural, para protecção duma pequena ave marinha, New Zealand Dotterel, cuja espécie corre riscos de extinção.
Para chegar à praia, com vários quilómetros de extensão, caminho através duma bela floresta de pinheiros, acompanhado pelo canto das cigarras, e de algumas aves.
Ainda antes de chegar ao meu destino do dia, passo por Onemana, pequena área residencial de recente desenvolvimento, junto a uma bela praia.
Chegado a Whangamata, apenas para passar uma noite, escolho a casa Kotuku, de turismo de habitação, onde se encontram os proprietários, Linda (neozelandesa) e Peter (inglês), que me acolhem com simpatia.
Com curiosidade para conhecer a praia local, acompanho os meus anfitriões que para lá se dirigem. Caminhamos a partir da casa Kotuku, localizada num bairro residencial tranquilo, para passados 200 metros, ao virar duma esquina, me deparar com uma magnifica praia fluvial, dum pequeno rio que desagua no oceano num dos extremos da praia de Whangamata.
Caminho ao longo duma das margens do rio – a outra é totalmente ocupada por uma floresta – num relvado cuidado, arborizado, deixando o casal que acompanhava com amigos que encontraram na praia fluvial.
Ao caminhar ao longo do rio, em direcção ao mar, apercebo-me da limpeza do percurso, e estabeleço um paralelo com o que seria este belíssimo espaço, se estivesse por exemplo, em Portugal. Por decoro, escuso-me a descrever os pormenores.
Antes de chegar ao oceano, e à correspondente praia, deparo-me com um cão que acompanha a dona, Donna, Este cão, de raça Rotweiller, tem a particularidade de mergulhar a cabeça dentro de água, por livre iniciativa, deleitando-se a brincar no rio, enquanto a Donna nada.
A praia oceânica, extensa, é uma mina de conchas, o que me entretém por algum tempo, bem como a observação das aves que povoam a praia.
Após regressar a casa, recebo um convite para jantar com a Linda e o Peter, num clube do qual são sócios, situado à beira-mar, no extremo oposto da praia, relativamente à casa deles. Somos acompanhados por um outro casal, também hóspedes da Linda e do Peter, Jean e David, ambos ingleses.
No dia seguinte, despeço-me de Whangamata, com mais um passeio na praia, quase deserta.

Hoje, vou viajar para sudoeste, para o interior, até Hamilton, onde vive a Cecilie, amiga australiana há muito residente na NZ, que conheci em Portugal, há 13 anos. A Cecilie, juntamente com o marido, Gregor, já falecido, é responsável pela minha primeira visita à NZ, em 1994, o que muito estimo.

P.S. – Desde que cheguei à NZ estou a seleccionar algumas fotografias representativas da minha estada neste país, publicando-as na Internet, no GOOGLE EARTH (GE).
Creio que quase todos conhecem o GE, programa que nos permite visualizar qualquer ponto do planeta, através de fotografias feitas a partir de satélites.
Assim, para quem tem acesso ao GE, e queira ver as fotografias que nele publico, podem fazê-lo identificando o símbolo GE nos artigos que publico. Por exemplo, no presente artigo, sinalizei sete locais com o símbolo GE.
Observando no GE as áreas correspondentes, encontrarão um símbolo circular, azul e branco, com uma cruz no interior. Este símbolo funciona como link para uma fotografia de um autor que decidiu publicá-la no GE, através dum programa chamado PANORAMIO.
Todas as fotografias estão devidamente identificadas com os nomes dos respectivos autores, pelo que as minhas apresentam o meu nome, Fernando Moura Machado.
Qualquer comentário que queiram fazer, será como sempre, apreciado.

12 fevereiro 2007

AUCKLAND – A CIDADE DAS VELAS

A viagem de São Francisco até Auckland é longa. Segundo as informações prestadas a bordo do Boeing 747 da Air New Zealand, de nome Christchurch, são cerca de 10.600 km, a percorrer em 12.30 horas.
Individualmente, esta é a viagem mais longa de todas as efectuadas desde a minha saída de Lisboa. Sendo uma viagem nocturna, como sempre, quase não consigo dormir. O avião estava cheio mas, apesar disso, o voo foi bastante tranquilo. A maioria dos passageiros ficou “agarrada” aos inúmeros programas audiovisuais do avião, com ecrãs individuais.
Uma particularidade desta viagem, é a de atravessar a linha imaginária que separa os Hemisférios Ocidental e Oriental, que fica próxima da Nova Zelândia (NZ), a oriente. Assim, de uma assentada, viajo do Hemisfério Norte para o do Sul, e do Hemisfério Ocidental para o Oriental, avançando repentinamente um dia no tempo.
Ao chegar à NZ, atinjo também o ponto mais distante de Portugal, já que a NZ se encontra nos antípodas, relativamente a Portugal.

Chegamos a Auckland de manhã muito cedo, ainda de noite. As formalidades alfandegárias são rápidas, apesar de rigorosas, particularmente no que respeita à chamada bio-segurança.
Como a NZ é um território isolado de outras áreas povoadas por espécies animais e vegetais, tem um ecossistema com características muito específicas, que as autoridades neozelandesas tentam preservar a todo o custo.
Assim, qualquer produto que possa interferir no equilíbrio ambiental da NZ, é expressamente proibido de entrar no seu território. Neste grupo, estão incluídos produtos alimentares crus, plantas, madeiras, e animais.
Todos os passageiros que chegam à NZ têm que preencher um documento, com o qual se responsabilizam pelo que transportam. Como toda a bagagem é inspeccionada por aparelhos de raios-X, à chegada, qualquer infracção é severamente punida.

Cansado, saio do aeroporto para me dirigir de imediato a um hotel onde me apresento para receber a chave dum apartamento que aluguei no centro da cidade.
Depois de descansar um pouco, saio para fazer o reconhecimento de Auckland.
Gostaria de referir que, em 1994, estive com a Ana na NZ durante uma semana. Nessa ocasião, não estivemos na cidade de Auckland, tendo apenas utilizado o aeroporto para entrar e sair do país.
Os primeiros contactos com a cidade revelam de imediato uma população heterogénea, do ponto de vista étnico e cultural, com uma percentagem elevada de asiáticos.
Só para ilustrar o que digo, ao sair do aeroporto, dirigi-me à paragem dos táxis, onde estavam vários motoristas a conversar, todos indianos. No hotel, o empregado que me transportou ao edifício onde fiquei alojado, é etíope. O edifício em que estou, com cerca de 150 apartamentos, parece fazer parte duma cidade da China, já que quase todos os residentes são chineses. Aliás, nas redondezas deste edifício, quase todas as lojas são controladas por chineses.
Duas dessas lojas, cafés-internet, estão abertas permanentemente.
De memória, nos restaurantes e cafés onde estive nestes dias passados em Auckland, já conversei com empregados(as) da Roménia, Polónia, Rússia, Escócia, África do Sul, EUA (esta descendente de mãe portuguesa), Argentina, Chile, Filipinas, Afeganistão e outros de que já não me lembro.
Este “melting pot” de Auckland espelha bem a realidade dum país que tem uma população escassa, pouco mais que 4.000.000 de habitantes, e uma densidade populacional muito baixa.
Só para ilustrar melhor a situação demográfica da NZ, refiro que o país tem uma área semelhante às das Ilhas Britânicas e do Japão. Sem precisar quantos habitantes têm estes dois países, é imensa a diferença populacional com a NZ.

A minha chegada a Auckland coincidiu com o fim-de-semana em que se comemora o aniversário da cidade (apenas 167 anos de existência), pelo que algumas festividades estavam em curso.
Logo no segundo dia da minha estada, realizaram-se na baía de Auckland regatas destinadas a todo o tipo de embarcações à vela. Esta cidade é conhecida como a cidade das velas, pelo facto de ter uma grande quantidade de barcos à vela, e pelos seus habitantes serem apaixonados por esta actividade.
Diga-se desde já que, a NZ é o país do mundo que tem o maior número de barcos de recreio per capita.
Assim, para melhor apreciar as regatas comemorativas do aniversário da cidade, atravessei a baía, de barco, até Devonport, e aí caminhei até um promontório chamado North Head, de um dos muitos vulcões extintos desta região.
Devonport, situada a 15 minutos de barco do centro de Auckland, faz parte da área urbana desta, designada de North Shore, e é extremamente agradável, pelo equilíbrio entre a arquitectura e o ambiente.
O percurso até North Head é feito a pé, pelo que observo a grande quantidade de pessoas que se posicionam ao longo da linha de costa para melhor apreciarem os barcos que passam. Contudo, muitas dessas pessoas não se limitam a ver os barcos, mas confraternizam entre si, fazendo piqueniques, como em Portugal já não se faz.
Este é um hábito social perfeitamente enraizado na sociedade neozelandesa, como mais tarde poderei confirmar, noutras ocasiões.
Para além disso, muitas pessoas, adultos e crianças, caminham descalças nos espaços naturais, o que lhes confere uma imagem estranha, a que na Europa não estamos habituados. A meu ver, este gosto por caminhar descalço, tem a ver também com o facto dos neozelandeses terem muito respeito pelo ambiente, e como tal, a natureza está limpa, logo pode ser usufruída de modo mais intimo.
Também, a NZ tem pouquíssimas espécies animais agressivas para o ser humano. Apenas se conhecem duas espécies de aranhas que são venenosas, ambas raras. Uma delas, foi “importada” da Austrália.
Voltando às regatas, North Head é um miradouro privilegiado para observação dos barcos (GE), tendo também uma vista deslumbrante da região.
Depois de me deliciar com a observação das centenas de veleiros que competiam nas regatas, e com os hábitos sociais dos espectadores, regressei ao centro de Auckland, para me dirigir ao local nas docas, onde a equipa de vela da NZ que irá competir na Taça América, está sedeada.
Hoje, a equipa designada Emirates Team New Zealand abriu as portas do seu centro náutico ao público, para se despedir de Auckland, já que todos irão partir para Espanha, para Valência, onde em breve vão começar as regatas da Taça América.
A confiança da equipa nas suas capacidades é tal que, o lema das festas é, “Vamos trazer a Taça América para casa!”.
Milhares de pessoas visitaram o centro náutico da equipa, onde entre muitas informações sobre o projecto, estavam presentes os dois exemplares do novo modelo de barco com o qual a equipa vai competir em Espanha.
Para evitar espionagem das equipas concorrentes, o casco e a quilha das duas embarcações estava oculto.
A cerca de 100 metros de distância das instalações da equipa da NZ, situa-se o centro duma das suas principais concorrentes, a equipa dos EUA, designada como Oracle/BMW.
Esta área portuária é quase exclusivamente dedicada a grandes embarcações de recreio. Não sendo um especialista na matéria, fiquei verdadeiramente impressionado com a qualidade de alguns barcos que ali se encontram acostados.
Dos vários grandes veleiros ali presentes, não posso deixar de destacar o Kokomo (http://www.kokomo.com.au/Superyacht170ft/tabid/62/Default.aspx), lançado à água em 2006, imponente nos seus quase 52 metros de comprimento, com apenas um mastro, de mais de 60 metros de altura. Ao vê-lo, sonhei com uma viagem a bordo.

Para melhor conhecer a cidade (GE x 2), embarco numa visita guiada, que confirma a ideia de que Auckland é uma cidade atraente, maioritariamente horizontal, organizada, com muitas áreas verdes, bem tratadas.
Contrariamente ao modelo de comércio dominante noutros continentes, aqui ainda é o mais importante, o comércio de rua.
No decurso da visita guiada à cidade, tive a oportunidade de visitar o “Kelly Tarlton’s Antarctic Encounter and Underwater World”, local de entretenimento onde podem ser observadas várias espécies animais marinhas, particularmente peixes e pinguins.
Um outro local popular de Auckland, facilmente referenciado, é a Sky Tower, uma torre com 328 metros de altura, que é a construção mais alta do Hemisfério Sul.
Esta torre, que tem várias plataformas acessíveis ao público, duas das quais com restaurantes, sendo um deles giratório, faz parte dum complexo que inclui hotéis e um casino, para além doutros equipamentos.
Uma subida à torre é recomendável, para quem não tenha vertigens, e queira ter uma visão aérea da cidade. Na plataforma onde estive, algumas áreas de pavimento são em vidro transparente, o mesmo acontecendo nos elevadores.

Quanto a museus de arte, a oferta não é grande mas, o Museu de Auckland, de construção clássica, imponente, é uma referência, sobretudo pelo espólio de arte Maori (o povo indígena da NZ), e de outras ilhas do Pacifico Sul.
Aliás, no museu, acontecem diariamente apresentações de cultura maori, feitas por grupos locais.
Este museu está situado num imenso parque urbano, chamado Auckland Domain, onde existem outros equipamentos destinados à população da cidade, tais como áreas relvadas para a prática de alguns desportos, um coreto para espectáculos musicais, no qual actuou, no dia em que lá estive, um grupo de jazz. Tratava-se dum espectáculo gratuito, num domingo, presenciado por muitas centenas de espectadores que, não tendo qualquer estrutura de apoio ao coreto para se sentarem, não se fizeram rogados para se sentarem, ou deitarem na relva, muitas vezes acompanhados por comida e bebida (mais um exemplo do gosto dos neozelandeses por piqueniques), em perfeita comunhão com a natureza e com os músicos.
Neste mesmo parque, existe também um magnífico jardim, com estufas, designado Jardim de Inverno.
Voltando aos museus de Auckland, visitei a Art Gallery, situada numa área central, adjacente ao magnífico Albert Park, pelas suas árvores majestosas, que concentra a colecção de arte (pintura e escultura) mais importante da NZ.

Dos restaurantes visitados, destaco o Soul, um dos restaurantes da moda em Auckland, situado na área portuária mais procurada pelos residentes e visitantes, junto aos iates mais imponentes.
Também interessante é o Mercado de peixe da cidade, bastante limpo, se comparado com os congéneres de Portugal, dentro do qual existem dois restaurantes de peixe e marisco, sendo um deles dedicado à gastronomia japonesa.

Durante a minha estada em Auckland, tive a oportunidade de conhecer um casal neozelandês, residente na cidade, por intermédio duma amiga que reside na cidade de Hamilton, a Cecilie, com quem me encontrarei mais tarde.
A Lisa e o Richard, que já viveram na Europa, em Inglaterra, são apaixonados por viagens. Há poucos anos, quando resolveram regressar à NZ, fizeram-no de modo distinto: viajaram de motocicleta, a partir de Londres, atravessando a Europa e a Ásia. Durante 18 meses, percorreram 70.000 km e visitaram 22 países, coleccionando histórias que guardaram num diário publicado na Internet (http://www.horizonsunlimited.com/tstories/richardandlisa/)
O nosso primeiro encontro decorreu em casa deles, onde jantámos, também na companhia dum sobrinho deles. Naturalmente, as conversas que tivemos abordaram sobretudo as experiências de viagens que temos tido.
Posteriormente, voltámos a encontrar-nos, para viajarmos para a Ilha de Waiheke, que se encontra ao largo de Auckland, para nela passarmos umas horas.
Esta ilha tem uma população residente considerável, parte da qual trabalha na cidade Auckland, que dista apenas 35 minutos de barco.
A ilha é reputada pelas culturas vinícolas e de oliveiras, e pelas actividades artísticas e culturais. Nesta altura, decorria uma interessantíssima manifestação artística denominada “Sculpture on the Gulf” (http://www.sculptureonthegulf.co.nz/), com periodicidade bienal.
Este projecto é destinado a escultores neozelandeses, que apresentam trabalhos expostos ao público em espaços naturais situados numa área costeira da ilha. Este ano, foram apresentadas 26 esculturas, que eram observadas pelo público ao longo dum percurso pedestre de grande beleza paisagística (GE).
Curiosamente, no início do percurso, estava instalado um centro de informações para o público que, para além das informações respeitantes à exposição, oferecia protector solar a quem quisesse. Como dizia o Richard, mais vale gastar algum dinheiro em protector solar, que tratar cancro de pele.
Neste passeio à Ilha de Waiheke participou também a Rachel, amiga da Lisa e do Richard. Todos transportavam grandes mochilas, pesadas, as quais serão utilizadas dentro em pouco para um passeio especial que os três irão fazer à Ilha do Sul. Este chama-se Milford Track, e é o passeio pedestre mais famoso da NZ, também considerado um dos mais bonitos do mundo.
O Milford Track é feito em grupos organizados, seguindo um percurso obrigatório, ao longo de quatro dias e três noites, no sudoeste da Ilha do Sul.
Com grande pena minha, não irei ter esta experiência na íntegra, por receio de não ter capacidade física suficiente, mas mesmo assim, espero poder caminhar durante algumas horas no início do primeiro percurso. Esse grande momento surgirá mais tarde, quando estiver na Ilha do Sul.

A outra ilha da região de Auckland que visitei, foi Tiritiri Matangi (http://www.tiritirimatangi.org.nz/), que é uma de várias ilhas santuário na NZ. Estas destinam-se a proteger espécies animais e vegetais que de outro modo, dificilmente escapariam à extinção.
Tiritiri Matangi (GE) fica a cerca de uma hora de barco a norte de Auckland, e tem uma história recente interessante: Durante muitos anos foi uma ilha explorada por residentes, tanto para actividades agrícolas, como para criação de gado.
As consequências para o ambiente foram nefastas, o que motivou uma conjugação de esforços públicos e privados que levaram à criação da actual reserva/santuário, há pouco mais de vinte anos.
Neste período, foram plantadas na ilha cerca de 300.000 árvores nativas, por voluntários, e introduzidas espécies de aves que se encontravam em vias de extinção, depois de eliminadas as espécies animais predadoras para as aves.
Hoje, vivem em permanência, ou temporariamente na ilha, cerca de 80 espécies de aves, que podem ser observadas mediante visitas guiadas ou não.
No dia em que eu visitei Tiritiri Matangi, terão estado na ilha aproximadamente cem visitantes. As visitas guiadas são conduzidas por guias voluntários, maioritariamente mulheres, normalmente de idade avançada, que se deslocam para a ilha propositadamente.
No meu caso, acompanhado por duas outras pessoas, fomos guiados pela Sue, professora reformada, que conhece muito bem a ilha, tendo participado na reflorestação da mesma.
Para além das aves, e da paisagem, também podem ser observados com frequência, pinguins azuis, espécie de pequena estatura que habita regularmente na ilha.

Não escondo a minha admiração pela NZ, e o desejo de poder um dia, aqui viver.
Assim, aproveitei a oportunidade de estar na maior cidade do país para consultar algumas fontes que me pudessem fornecer informações acerca dos procedimentos para obtenção de autorização de residência na NZ.
Depois de abordar os Serviços de Imigração e uma empresa privada que trabalha na área da imigração, confirmei a ideia de que, caso pretenda obter autorização de residência no país, terei que conseguir um vinculo profissional com uma empresa nacional, após o que poderei solicitar autorização de residência.
Para já, vou prosseguir o meu plano de viagem, no sentido de melhor conhecer o país, após o que tomarei as decisões que melhor me sirvam.
Sendo a NZ um país especial para mim, preparei antecipadamente esta viagem pelo país, antes de iniciar a minha volta ao mundo. Seleccionei um total de 111 locais que tentarei visitar no decorrer dos próximos dois meses, período em que estarei na NZ.
Vou pois iniciar a minha volta à NZ, com as melhores expectativas.

GE - Cinco fotografias publicadas no GOOGLE EARTH.